A palavra “curtição”, muito usada pela “galera”, vem de “curtiço”; é diferente de “cortiço” ("habitação coletiva das classes mais pobres"). Os “cortiços” são geralmente habitados por pessoas de classe mais baixa, tendo como exemplo as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Esses “cortiços” são habitados, em sua maioria, por migrantes oriundos do Nordeste para tentar a sorte na grande metrópole, deixando para trás a parentela e a seca do sertão da sua terra natal tão sacrificada.
“Curtição” é o ato de “curtir” a pele de animal para transformá-la em couro, uma prática muito comum nos curtumes de beneficiamento de peles. A pele é colocada de molho em uma solução cáustica composta de calcário e tintura de casca de angico, para “curtir”. Essa pele conservada de molho no “curtiço” converte-se em couro que é utilizado no fabrico de sapatos, bolsas e cintos. As mocinhas, portanto, que acham estarem “curtindo a vida”, acompanhando as “galeras”, freqüentando festinhas, bandas ou arrastões, podem estar de molho no “curtiço” para serem levadas futuramente à condição de couro e, finalmente, transformadas em cinto, bolsa ou sapato.
A maioria das juvenis que freqüenta esses ambientes está ali contra a vontade dos seus pais. Com o tempo elas vão se entrosando com as “galeras”, perdendo a vergonha e o pudor, se tornando objetos de prazer sexual, escárnio e humilhação. Essas jovens que vivem de “curtição” não têm compromisso com Deus nem com a religião, e terminam como “garotas-de-programa” (prostitutas) ou mães-solteiras! Algumas têm a sorte de ser amparadas por algum “trouxa” que, às vezes, também é enganado, assumindo um filho que não é dele. Essas estão na condição de bolsa, ou seja, um objeto menos humilhante e desprezível como é o sapato, que é mantido debaixo dos pés, andando sobre sujeiras e terrenos de naturezas diversas. Outras são comparadas a cintos, sendo exploradas ou usadas para sustentar as calças do homem aproveitador que vive como “gigolô”. Esse é o fim das mocinhas que perdem a virgindade fora do casamento ou vivem em festinhas com “amigos”, achando estarem “curtindo a vida” (WILSON DIAS, FEV/2008).
sábado, 9 de maio de 2009
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